As onze no farol… uma hora que não chega, num sítio que apenas existe na memória da vertigem de uma varanda, com vista sobre futuros díspares...
Ele…
Acordem-me um pouco antes das onze.. tenho que lá estar na hora certa,…
naquela hora em que a noite já ganhou o seu tom negro…
a hora em que o efémero se disfarça de definitivo…
As onze no farol, uma luz que quebra o breu, às onze…hora em que a noite é noite…,
fracção de tempo diminuta entre o anoitecer e o amanhecer…
Depois da hora já é tarde demais…. um novo dia aproxima-se…encontra-me esta noite..… às onze no farol..…
Talvez te vislumbre quando o raio de luz na sua rotação constante te ilumine a face por um segundo…
Vou tentar não piscar os olhos….
Se não vieres não mo digas….
Quero acreditar que pestanejei…. Que a maresia invadiu o meu olfacto e camuflou o teu perfume…. que o barulho do vento e do mar não me deixou ouvir a tua voz quando gritaste o meu nome…
11:01….percorro com o olhar o circulo que a luz transcreve….
pestanejo…. Grito o teu nome… não encontro resposta
11:02… Olho para a lente que amplifica a luz bruxuleante avivando a chama….
11:03… Ceguei… Não te vejo, não te ouço, não sinto o teu aroma no ar….
Ela…
As onze no farol… as ondas não me deixam aproximar da praia… tenho medo de naufragar de novo… vejo a tua silhueta reflectida no foco de luz… Não me viste acenando?
O vento sopra o teu grito na minha direcção… respondo de volta um cheguei que não te chega… o vento sopra para longe o meu grito…
Às onze no farol… porque escolheste esta hora? Porque na hora mais negra?
Não me vês?? Desespero… porque escolheste esta hora???
A corrente afasta-me …. Porque escolheste esta praia??
Às onze no farol….
Agora percebo….
Tinhas medo que não viesse…. A luz do dia é bela mas cruel… põe a nu as ausências…não deixa margem ao conforto angustiante da incerteza….
11:01: Às onze no farol…. Eu viria a qualquer hora…. Mas às onze no farol as ondas metem-me medo e a maré afasta-me da praia… eu vejo-te eu oiço-te, sinto o teu aroma no colo do vento… Não te consigo alcançar …
11:02: A tua sombra açambarca-me quando o foco de luz incide sobre o meu frágil batel…… Abraço o teu vulto por um segundo…. Eu queria chegar a tua praia, mas tenho medo que as ondas me esmaguem contra as rochas…. Porque raio escolheste esta praia, esta hora??
11:03: A tua silhueta prostrada ante o foco de luz…. Deixo-me levar pela corrente.... com medo de naufragar de novo….
Fim? Acorda-me quando o sol raiar....
segunda-feira, 23 de julho de 2007
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5 comentários:
Finalmente podemos voltar a ver o farol... que esta seja a nossa pequena varanda virtual onde fumamos o nosso cigarro e imaginamos o futuro.
Magno...
sempre t�o po�tico, rom�ntico, profundo, apaixonado nos seus textos... mas na realidade... ser� assim? pensar� em algu�m quando despeja esses devaneios? Ambiciona um encontro no farol, onde tentar� decifrar ventos e mar�s, ou ser� mera est�tica po�tica?
Ilucida-nos...
:)
lamechas...
mera escrita automática cara margarida... so se for um encontro no farol de leça entre nós pa comermos um daqueles crepes a nadar em chocolate e chantily...
Comi um ontem!! Nhami!!
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